sábado, 19 de março de 2016

Complexo arquitetônico da Pampulha

 

  A arquitetura moderna teve sua consolidação em 1929 com a construção do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro, Pampulha fora projetada e construída no período de 1940 a 1943, marcando decisivamente sua evolução urbana mineira junto a implantação da Cidade Industrial. Ampliando, a ideia inicial, o prefeito Juscelino Kubitschek decidiu construir um conjunto de monumentos, de interesse social e recreativo, constituído, além do Cassino, do Iate Clube, Casa do Baile, Igreja e Hotel (este não construído) e uma casa de fim de semana para o próprio prefeito. Além das edificações, foi criada a lagoa, especialmente para o projeto, por meio da construção de uma barragem que fechou um vale largo e sinuoso, formando um espelho d’água de vários quilômetros. Com a Pampulha, Niemeyer explora através de curvas e formas inusitadas as qualidades plásticas do concreto armado, e que irá influenciar a arquitetura brasileira nas décadas seguintes.

Iate clube


   A casa-barco foi construída para confluir em um só lugar lazer e o convívio familiar, por meio de atividades esportivas e de entretenimento. De acordo com o projeto original, no térreo foi construída a garagem de barcos e lanchas, inundada pelo lago. 
  Para as festas temáticas, que logo se tornaram uma das principais atrações do clube, foram construídos dois salões de festas: o Espelho d’água e o Portinari, decorados com trabalhos de destacados artistas. O primeiro com obras de Estergilda Menicucci e o segundo com a tela “O suicídio de consciência”, também conhecida como “Espantalho”, assinada por Cândido Portinari, e pelo painel “O Esporte”, de Roberto Burle Marx, responsável, também, pela concepção do projeto paisagístico dos jardins do clube.
  Os vidros no lugar das paredes promoveram “a típica integração modernista entre espaço interno e externo. No lado oeste, para controlar a entrada dos raios de sol, que ao atravessar as vidraças invadiam o interior do prédio, foram instalados lâminas verticais pivotantes, muito difundidas na arquitetura modernista, por seu apelo estético aliado à ciência funcional.


Casa do Baile


  A casa do Baile foi concebida como  equipamento urbano para ser um lugar de bailes, shows e restaurante. Em relação a sua situação paisagística, ela se difere por implantar-se em uma ilha artificial ligada á Avenida mais próxima apenas por uma ponte.
  Sua planta se desenvolve a partir de duas circunferências que se tangenciam internamente das quais se desprende uma marquise sinuosa, com influência barroca, que incita comparação com as curvas da margem da represa. Esta marquise é suportada por colunas expressivas, que também contornam todo o volume circular que ao término é revestido por azulejos. A calçada portuguesa pode ser observada em toda a área externa, antes, ao longo de todo o terreno e depois da ponte, o que reforça o caráter público do espaço.

  


Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha)


  O edifício constituía a âncora de todo o conjunto, por ser o equipamento responsável pela atração do maior número de visitantes. Além do destaque garantido por sua implantação em terreno mais elevado, trata-se do edifício que apresenta mais clara filiação com os princípios da arquitetura moderna, segundo Le Corbusier, com sua estrutura independente em concreto, planta e fachadas livres, moduladas pela estrutura, a qual surge como a própria expressão formal.
   A estrutura em concreto e a escolha pelos panos envidraçados proporcionam a alta integração visual entre o interior e o exterior. O volume prismático regular, de rigorosa modulação estrutural apresenta-se como uma caixa de vidro com rampas ligando o térreo ao salão de jogos e à boate, apresenta ainda paredes revestidas de ônix e colunas revestidas por aço inoxidável. A este volume associa-se o corpo curvilíneo e translúcido que abriga a pista de jogos e a boate.  A solução invoca um efeito cênico comum à arquitetura barroca mineira

  
  
  * O cassino propiciou noites de grande esplendor aos habitantes e aos turistas, até 1946 quando foi desativado pela proibição dos jogos de azar no Brasil.

Casa Kubitschek


  Construída para ser a casa da família Kubitschek, a edificação marca a coesão entre lazer e a moradia. Criada para ser um modelo de casa de campo, ela representou um marco divisor onde, até então, predominavam as edificações ecléticas e neoclássicas. Era uma casa para receber, com um amplo setor social e um bem resguardado setor íntimo, ainda com integração da arquitetura com a paisagem e a presença da setorização valorizando a área social.
  Implantada em um terreno de dimensões generosa, voltada para a lagoa, conta com um amplo recuo frontal, onde destaca-se o paisagismo de Roberto Burle Marx, que enfatiza a imponência do objeto e valoriza o percurso na hierarquização do espaço  bem como os caminhamentos bem demarcados nas áreas externas, sugerindo percursos e pontuando lugares.



Igreja São Francisco de Assis


  É composta de uma sequência de cinco "cascas" articuladas, com diferentes alturas, sendo a maior independente e de seção variável que se encaixam formando a nave. Na edificação, onde as curvas de Niemeyer são as mais evidentes, a entrada de luz destaca a pintura de Portinari, ao fundo. Muitos elementos existentes na composição desta obra fazem alusão à tradição da arquitetura religiosa mineira e franciscana. No entanto, seu desenho inusitado e inovador, não permitiu que a simbologia dessa arquitetura presente nas curvas da Igreja, na sua sineira, no coro, no púlpito, no batistério fosse imediatamente apropriada pela Igreja Católica, alegando que a edificação não possuía os elementos sacros e por isso a Capela São Francisco permaneceu fechada por vários anos.

    
   Croquis Niemeyer. Fonte: Arquitetura e Engenharia.


  A  Pampulha  fora  tombada  junto  ao  Iepha  em  1979,  mas até  aí  muitas  intervenções foram feitas  nos  edifícios  para  adequá-los  aos  seus  novos usos, somente a Capela mantêm hoje a função para qual fora criada.
  

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