quinta-feira, 7 de julho de 2016

Samba da Meia Noite no Viaduto Santa Tereza

   Além de Duelo de MC'S, outra manifestação que acontece debaixo do viaduto e quinzenalmente, as sextas-feiras, é o Samba da Meia-noite. Divulgado pelas redes sociais, a manifestação vem se tornando cada vez mais conhecida. Devido às questões culturais, o encontro é organizado no formato de uma roda na qual os músicos são envoltos pelos espectadores que podem interagir com o evento ao invés de apenas assisti-lo. Assim como o Duelo de MC's, não existe apoio por parte da prefeitura, o que causa a inexistência de banheiros químicos e iluminação adequada que atenda aos participantes. O grupo é constituído por doze integrantes que atuam como "sambadeiras", sambadores e puxadores, porém esta configuração não restringe a participação externa, pelo contrário, abre possibilidades. Os sambadores dançam ao som dos tambores assim com as "sambadeiras" que são responsáveis por responder aos cantos evocados pelo puxador. Os partícipes possuem vestuário específico no qual as mulheres, por meio de suas saias, retratam o período da escravatura brasileiro ao passo que nestas sintetizam a junção dos modelos europeus usados pelas Sinhás, da costura entre retalhos feita pelas escravas e da diversidade de cores e estampas característica das culturas africanas. O terno e os chapéus usados pelos homens equivalem à malandragem, traço de brasilidade e identidade.
   Vale-se ressaltar a diferença entre o samba praticado nesse encontro e o famoso samba carioca do Carnaval. O Samba de Roda nasceu a Bahia por volta dos anos 1860 como uma manifestação religiosa, um culto à entidade "Zé Pretinho" do Candomblé, que representava a diversão e molecagem, porém desenvolveu-se como uma forma de lazer popular e se espalhou pelo Brasil, até chegar em Belo Horizonte e se instalar na parte de baixo do Viaduto Santa Teresa. Esse estilo de dança foi um precursor do carioca, que se difundiu muito mais. Portanto, embarcando nas origens e manifestações do evento, é apropriado dizer que este tem o objetivo de afirmar, sustentar, divulgar e manter a riqueza cultural afro-brasileira, que é única, e o ideal de expandir a manifestação com as batidas do samba de roda: apenas voz, corpo e tambor. O ato de cantar as histórias garante, junto à oralidade, a propagação dos costumes.






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