O documentário Edifício Master (2002), dirigido por Eduardo Coutinho, retrata as histórias de vida dos moradores que residem neste Edifício situado em uma das regiões mais caras do Rio de Janeiro, o bairro Copacabana. O prédio abriga em torno de 500 moradores dos quais 37 foram entrevistados por Eduardo e sua equipe, os mesmos vivenciaram o cotidiano no local durante uma semana extraindo os mais diversos relatos. As pessoas entrevistas pertencem às classes média-baixa/ baixa, possibilitando assim, através de seus depoimentos, minutos de acesso a realidade de muitos brasileiros que auxiliados pela simplicidade e ausência de efeitos nas gravações aproximam ainda mais os espectadores dos que disponibilizam seus relatos. A experiência adquirida ao assistir é, com toda certeza, impactante e representa uma clara oposição a não só ao estilo de vida, mas à compreensão de cidade, comunidade, indivíduo e situação social estudada no documentário Um lugar ao sol. Nesta produção o espectador é surpreendido principalmente pelo sentimento de superioridade das pessoas que vivem nas coberturas das cidades de São Paulo, Recife e Rio de Janeiro além dos relatos machistas, preconceituosos e da percepção de tempo onde a tranquilidade é sempre exaltada.
É interessante notar que ao serem questionados a respeito de viver no local mais cobiçado da cidade, os moradores do Edifício Master, dizem não estarem satisfeitos argumentando através de características como a densidade urbana, segurança e especulação imobiliária ou seja, não há o sentimento de pertencimento enquanto isso, nas coberturas, a quem se sinta de alguma forma dono da mesma cidade. Realidades como a de uma jovem que iniciara sua carreira como profissional do sexo muito nova e ser mãe, ao receber seu primeiro salário, exatamente 100 reais, gastou-o por completo ao fazer uma refeição em uma das franquias McDonald's levam-nos a uma extensa reflexão, ainda enfatiza ter sido o melhor dia de sua vida.

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